Profetismo em Israel

Profetismo em IsraelNas páginas que se seguem, apresento um resumo do livro “Profetismo em Israel. O profeta. Os profetas. A mensagem.”, de autoria de José Luiz Sicre, professor na Universidade de Granada e no Pontifício Instituto Bíblico de Roma, licenciado em filosofia e doutor em Sagrada Escritura. Este resumo se concentra na segunda parte do livro “Os profetas”, devido à sua maior relevância para o iniciante na prática da exegese. Visto que a primeira parte trata-se de um estudo mais minucioso sobre a atividade profética, e a terceira dedica-se a uma tentativa de aplicação da mensagem dos profetas de ontem para os dias de hoje.

Ao selecionar o texto para compor este resumo, atribuí mais valor às informações referentes ao contexto e à vida de cada profeta, e menos aos dados mais detalhados como interpretações de passagens, opiniões de comentaristas, teorias sobre datação, etc. Penso assim poder captar os detalhes mais abrangentes, indispensáveis a qualquer abordagem do texto bíblico. De modo que ajude o estudante a captar a mensagem mais ampla de cada profeta, e que o livro seja mais facilmente manuseado posteriormente, na necessidade de informações mais profundas sobre textos específicos.

Os inícios da profecia bíblica

Se lêssemos a Bíblia sem o mínimo senso crítico, deveríamos afirmar que Israel tem profetas desde as suas origens, já que seu pai no sangue e na fé, Abraão, é honrado em Gn 20.7 com o título de profeta. Mais tarde, Moisés aparecerá como o grande mediador entre Deus e o povo, aquele que transmite a palavra do Senhor e se transforma em modelo de todo autêntico profeta. A própria irmã dele, Míriam, também é profetisa. E, durante a caminhada pelo deserto, setenta anciãos são invadidos pelo espírito de Deus e entram em transe profético.

Em uma época como a nossa, em que tudo o que se refere à situação de Israel antes da monarquia está submetido à profunda revisão, é natural que também as afirmações que acabamos de fazer sejam interpretadas com espírito crítico. Mais do que refletir a realidade histórica sobre os primeiros profetas, esses textos projetam a mentalidade posterior sobre certos aspectos do profetismo. Oséias e outras tradições posteriores (ou talvez contemporâneas) sublinharão que Moisés ocupa um lugar especial entre os profetas. Entretanto, devemos insistir que estas passagens não significam uma informação sobre fatos históricos, mas uma interpretação de gerações posteriores.

No período dos Juízes temos Débora, Samuel e os grupos de profetas. Débora é apresentada como profetisa pelo autor do livro de Juízes, e os comentaristas atuais não entendem bem por que se lhe dá este título, e muitos consideram isto um acréscimo dos autores deuteronomistas. Samuel sim tem todas as características de um profeta: recebe revelação de Deus, unge reis, denuncia autoridades. Embora alguns fatos apresentem sérios problemas históricos, parece claro que os autores bíblicos interpretaram Samuel como o primeiro grande profeta. Os grupos de profetas aparecem mencionados no livro Primeiro de Samuel, apresentando a seguinte imagem: vivem em comunidades, às vezes presididos por Samuel; pelo menos em uma ocasião caminham precedidos de saltérios, tambores, flautas e cítaras; descem de um outeiro sagrado, o que faz supor o interesse deles pelo culto. Podemos aplicar-lhes o que se diz de Saul em 1Sm19.24; às vezes tiram suas vestes e se deitam por terra em transe. Como vemos, o quadro é muito vago por causa da falta de dados. É preferível reconhecer que sabemos muito pouco sobre eles.

Que relação têm com o profetismo clássico de Israel? Menor do que a que poderíamos pensar. Segundo González Núñes, não são profetas, mas “testemunhas” da presença do Senhor e auxiliares dos profetas. Na realidade, não falam em nome de Deus, não anunciam o futuro, não são videntes,  não operam como intermediários entre Deus e o povo. Simplesmente mantêm uma ocupação religiosa e levam um gênero de vida que a facilita. Precisamente este favor religioso supôs uma grande ajuda para Samuel em um momento de grandes dificuldades, quando a arca estava em mãos filistéias, o sacerdócio de Silo havia desaparecido e a religião cananéia ameaçava o javismo. Samuel pôde ver neles uma força que o ajudasse a superar a crise religiosa e política de Israel. Por isso os encontramos no momento da unção de Saul, ao começar a monarquia, e protegendo Davi frente ao rei.

Nos séculos que vão desde a instauração da monarquia até o aparecimento de Amós podemos detectar três etapas, muito relacionadas com a atitude que o profeta adota diante do rei. A primeira etapa podemos defini-la como proximidade física e distanciamento crítico em relação ao monarca. Os representantes mais renomados desta primeira época são Gad e Natã. A segunda etapa se caracteriza pelo distanciamento físico que vai criando entre o profeta e o rei, se bem que o profeta só intervenha em alguns assuntos relacionados com o rei. Um exemplo significativo é o de Aías de Silo. A terceira etapa concilia o distanciamento progressivo da corte com a aproximação cada vez maior com o povo. O exemplo mais patente é o de Elias.

Dois profetas da terceira etapa merecem um pouco mais de atenção. O já citado Elias, e Eliseu.Elias desenvolve sua atividade durante os reinados de Acab e Ocozias, isto é, por volta de 874 a 852, no reino do norte. É o tipo de profeta itinerante, sem vinculação a um santuário, que aparece e desaparece de forma imprevisível. A política de Amri e Acab, especialmente a alinça com Tiro, provocou uma difusão anormal da religião cananéia. Deste modo, os israelitas se acostumaram a prestar culto a Javé e a Baal. Esta atitude sincretista havia começado muitos séculos antes, se nos ativermos ao que diz a história de Gideão (Jz 6.25). mas é agora que ela se converte em um sério perigo. A missão principal de Elias consistirá em defender o javismo em toda a sua pureza, com a confissão de que só Javé é o Deus de Israel. E esta confissão tem repercussões não só no âmbito do culto, mas também na esfera social, como demonstra o episódio da vinha de Nabot.

Eliseu, discípulo e continuador de Elias, apresenta-se com duas características dominantes: “Uma é a do santo milagreiro, especializado em milagres de água; a outra é a do profeta que dirige os movimentos políticos, mudando dinastias. Em número de milagres, supera Elias e qualquer outro personagem do Antigo Testamento; isto não engrandece a figura dele, mas antes parece distrair-nos. Tal acumulação minuciosa pode dever-se aos círculos proféticos em que atuou. À margem da política internacional, transcorre um anedotário pitoresco, que exalta os poderes de Eliseu sem delinear a figura dele”.

O século áureo da profecia (I). Amós e Oséias

  • Panorâmica da época

No século VIII, tanto o Reino do Norte como o Sul haviam passado rapidamente de uma situação trágica, de grande pobreza, para um auge econômico só comparável ao do reinado de Salomão. Mas este desenvolvimento da agricultura e da indústria foi conseguido às custas dos mais pobres. É verdade que sempre existiram desigualdades no antigo Israel, mas agora elas adquirem proporções alarmantes. O abismo entre os pobres aumenta sem cessar.

A área religiosa tem dois problemas. Por um lado, o culto aos deuses estrangeiros, especialmente Baal. Por outro lado, há uma falsa ideia de Deus fomentada por um culto vazio, uma piedade sem raízes, e certas verdades de fá mal interpretadas. Em suma, um propósito de manipular a Deus, de eliminar suas exigências éticas, querendo contentá-lo com oferendas, sacrifícios de animais, peregrinações e rezas. O Deus da Justiça,que quer um povo de irmãos e não tolera a opressão dos fracos, se transforma para a imensa maioria do povo em um deus como qualquer outro, satisfeito com o que o homem lhe preste culto no templo e lhe ofereça seus dons.

Nesta mesma época, circunstâncias políticas nacionais e internacionais  agravam a situação. A subida de Teglat-Falasar III (ano 745 aC) ao trono da Assíria e sua política imperialista transformaram o Antigo Oriente em um campo de batalha em que a Assíria procura impor a sua hegemonia sobre povos pequenos e tribos dispersas. Frente à Assíria, o Egito aparece como a única força capaz de opor-se-lhe. E assim surgirão em Israel e Judá dois partidos contrários, um assirófilo e outro egiptófilo, que farão a política oscilar para um ou outro dos dois extremos. O característico de Oséias e Isaías é a sua defesa da neutralidade, sua oposição radical às rebeliões contra a Assíria e às alianças com este país ou com o Egito.

  • 1.            Amós
  • a.            A pessoa do profeta

Sabemos que nasceu em Técua, cidade pequena mas importante, localizada a uns dezessete quilômetros ao sul de Jerusalém. Portanto, embora tenha pregado no Reino Norte, Amós era Judeu. Quanto à sua profissão, o título do livro apresenta-o como pastor, e ele mesmo se considera “vaqueiro” e cultivador de sicômoros. A compra e vendade de animais e o cultivo de sicômoros (que não se faziam em Técua, mas no Mar Morto e na Sefela) devem tê-lo obrigado a viagens frequentes, o que o tornou um homem informado sobre certos acontecimentos dos países vizinhos. Este homem, que não tinha nenhuma relação com a profecia ou com os grupos proféticos, é enviado por Deus para profetizar a Israel. A duração da sua atividade profética é discutida.

b.           A época

Desde o reinado de Jeú até Joacaz foi um período difícil para Israel, frequentemente derrotado e humilhado pela Síria. Entre os anos 806 e 782 opera-se uma grande mudança, motivada pela ascensão de Adadnirari III ao trono da Assíria. Ao atacar Damasco, este rei permite que Israel recupere territórios perdidos. Neste século a população atingiu a sua maior densidade, os edifícios eram explêndidos e luxuosos, aumentaram os recursos agrícolas, progrediu a indústria têxtil e a das tintas. Todavia este bem-estar oculta uma decomposição social. Ocorriam tremendas injustiças e um contraste brutal entre ricos e pobres. E esta decomposição social caminhava de mãos dadas com a corrupção religiosa. Muitos santuários eram abertamente pagãos, fomentando os cultos de fertilidade e a prostituição sagrada. A isto juntava-se um enfoque errado da religião israelita. A aliança com Deus se transformou em letra morta, recordada durante as celebrações litúrgicas, mas sem a menor influência na vida diária. Nos últimos anos de Jeroboão II se produziu uma nova mudança: a morte de Adadnirari III levou a Assíria a uma nova época de decadência, e Damasco aproveitou para recuperar alguns territórios, o que gerou mais guerras ainda. Isto deve ter ocorrido pouco antes de Amós começar a sua atividade.

c.            A mensagem: o castigo e suas causas

O tema do castigo repete-se insistentemente. Mas é na parte final do livro que o tema do castigo atinge o seu ponto culminante. A quinta visão desenvolve a ideia com uma imagem de um terremoto que abre a porta para uma catástrofe militar e a uma perseguição do próprio Deus. É o que acontecerá efetivamente quarenta anos mais tarde, quando as tropas assírias conquistarem Samaria e o Reino Norte desaparecer da história. Dizer isto em tempos de Jeroboão II significava passar por louco, anunciar algo que parecia impossível. No entanto, é a mensagem que Deus lhe confia e com a qual Amós se apresenta diante do povo.

Mas Amós não se limita a anunciar o castigo. Explica ao povo as razões que levaram a ele. E para isto denuncia uma série de pecados concretos, entre os quais sobressaem quatro: o luxo, a injustiça, o falso culto a Deus e a falsa segurança religiosa.

d.           Atividade literária de Amós

O livro de Amós não precede do profeta na sua forma atual. Todavia, costuma-se atribuir a ele a primeira redação do ciclo das visões, dos oráculos contra os países estrangeiros, e do bloco central do livro.

3.            Oséias

  • a.            A época. Situação política e religiosa

Oséias começa sua atividade profética nos últimos anos de Jeroboão II, pouco depois de amós ser expulso do norte. Por conseguinte, nasceu e cresceu em um dos poucos períodos de esplendor que Israel teve desde que se separou de Judá. Todavia, ao morrer Jeroboão II, a situação mudou por completo. Este havia reinado trinta anos. Os trinta anos seguintes serão ocupados pelos reinados de seis reis, quatro dos quais ocuparão o trono pela força, sem nenhum direito. Facéia (740-7310) irá se unir a Damasco para declarar guerra a Judá. Teglat Falasar III acode em socorro a Judá, arrasa Damasco e arrebata a Facéia. Oséias, contemporâneo e homônimo do profeta, será o último rei de Israel. Ao deixar de pagar tributo a Assíria, provoca o cerco de Salmanasar  V. Samaria cai em poder dos sitiadores no ano de 722. O reino de Israel desaparece da história.  Estas revoltas contínuas e assassinatos ajudam a compreender as duras críticas do profeta contra seus governantes e a decepção que na sua fala demonstra em relação à monarquia.

Para compreender a mensagem de Oséias, é preciso levar em conta outro dado: o culto a Baal. Quando os israelitas chegaram à Palestina, formavam um povo de pastores seminômades. Concebiam Javé como um deus de pastores, que protegia as emigrações deles, os guiava pelo caminho e os salvava nos combates contra tribos e povos vizinhos. Ao se estabelecerem em Canaã, os israelitas mudaram em parte de profissão, tornando-se agricultores. Muitos deles, com escassa formação religiosa e uma ideia de Deus muito imperfeita, não podiam conceber que seu “deus de pastores” pudesse ajuda-los a cultivar a terra, provê-los de chuva e a garantir-lhes estações propícias. Difundiu-se então o culto ao deus Cananeu Baal, senhor da chuva e das estações, que proporciona a fecundidade da terra e favorece os cultivos. Javé continuou sendo o deus do povo israelita, mas quem satisfazia às necessidades primárias era Baal. Quando os israelitas tinham estas necessidades satisfeitas, agradeciam a Baal e não a Javé.

  • b.           A pessoa

Não sabemos de Oséias nem o ano do nascimento nem o da morte. Também desconhecemos o lugar em que nasceu e sua profissão. O livro só nos informa o nome do profeta, o de seu pai e o da sua esposa (Gomer). Deste casamento nasceram três filhos: dois meninos e uma menina, aos quais deu nomes simbólicos “Deus semeia”, “aquela que não recebe compaixão” e “não-meu-povo”.

O casamento de Oséias foi e continua sendo motivo de intermináveis discussões, que provavelmente nunca encontrarão uma solução satisfatória. Alguns acreditam que os três primeiros capítulos são pura ficção literária, sem nenhuma base na realidade. Outros acreditam que Oséias recebeu realmente o encargo de casar-se com uma prostituta e ter filhos dela. Outros pensam que Gomer não era uma prostituta, mas uma moça normal, que mais tarde foi infiel a Oséias e o abandonou para ficar com outro homem. Por último, há quem diga que Gomer nem era prostituta nem foi infiel a Oséias, devendo-se tudo a uma interpretação errônea dos discípulos do profeta.

Destas opiniões, a mais provável parece a terceira. Esta trágica experiência matrimonial serviu a Oséias para compreender e expressar as relações entre Deus e seu povo. Deus é o marido perdoador, Israel a esposa infiel.

Além de ter que suportar a tragédia matrimonial, Oséias chocou-se também com a oposição de seus ouvintes, que o tacharam de néscio e ridículo; mas ninguém o proibiu de falar, como fizeram a Amós. A atividade dele se desenvolveu sempre no Reino do Norte, provavelmente em Samaria, Betel, e Guilgal. Podemos datar os últimos oráculos dele em 725. Não sabemos se foi para Judá depois da queda de Samaria ou antes do cerco da cidade. Em todo caso, sua pregação foi logo conhecida no Reino do Sul, pois lá se fez a redação definitiva do livro.

  • c.            A mensagem

A mensagem de Oséias coincide em parte com a de Amós. Por exemplo, na denúncia das injustiças e da corrupção reinante e na crítica ao culto, pelo que este tem de superficial e falso. Mas há uma série de aspectos novos. Antes de tudo, condena com enorme força a idolatria, que se manifesta em duas vertentes: cultual e política. A idolatria cultual consiste na adoração de Baal, com seus ritos de fertilidade, e na adoração dos bezerros de outro, instalados por Jeroboão I no ano de 931, quando as tribos do norte se separaram de Judá. A idolatria política Oséias enxerga nas alianças com o Egito e a Assíria, grandes potências militares do momento, que poderiam proporcionar cavalos, carros e soldados. Assim a Assíria e o Egito deixam de ser realidades terrestre, aos olhos de Israel aparecem como novos deuses capazes de salvar. O povo corre atrás deles esquecendo a Javé. Com isto infringe novamente o primeiro mandamento.

  • d.           Atividade literária de Oséias

Também neste caso admite-se geralmente um trabalho original do profeta, embora longe da forma atual do livro.

O século áureo da profecia

  • 1.            A segunda metade do século VIII
  • a.            A expansão do império Assírio

O fato político fundamental da segunda metade do século VIII é a rápida e crescente expansão da Assíria. Fazia anos que esta potência, já famosa no segundo milênio antes de Cristo, não exercia grande influência no Antigo Oriente. Mas em 745 sobe ao trono Teglat-Falasar III, grande organizador e hábil militar. Desejoso de ampliar o seu território, revoluciona a técnica bélica: nos carros de combate substitui as rodas de seis raios por rodas de oito, mais resistentes; utiliza cavalos de reposição que permitem maior rapidez e facilidade de movimentos; equipa os cavaleiros com couraça e a infantaria com botas. A partir de 745 não encontramos general da categoria de Teglat-Falasar, nem exército tão bem equipado e com tanto moral de vitória quanto o assírio.

O imperador e seus sucessores adotarão com os demais países, próximos ou longínquos, certas normas de conduta que convém conhecer: a) o primeiro passo consiste em uma demonstração de força, que leva esses Estados a uma situação de vassalagem, com pagamento anual de tributo; b) se mais tarde ocorrer – ou surgir a suspeita de – uma conspiração contra a Assíria, as tropas do império intervém com rapidez, destituem o monarca reinante e colocam em seu lugar um príncipe adjunto, ao mesmo tempo aumentam-se os impostos, controla-se com mais rigor a política externa e se reduz o território, passando grande parte dele a transformar-se em província assíria; c) ao mínimo sinal de nova conspiração, intervêm de novo as tropas; o país perde a sua independência política, passando a transformar-se em província assíria, e ocorre a deportação de grande número de habitantes, que são substituídos por estrangeiros; esta última medida pretende destruir a coesão nacional e impedir novas revoltas; o Reino de Israel será vítima de tal procedimento no ano de 720.

  • b.           Judá na segunda metade do século VIII

Nos tempos de Acaz, desencadeia-se a guerra siro-efraimita, na qual Damasco e Samaria se aliam para atacar o reino de Judá. Acaz pede ajuda a Teglat-Falasar, e com isso consegue se defender, mas mesmo assim tem perda de territórios, e acaba ficando submetido à Assíria, passando a pagar tributos. Judá aceita com resignação estes reveses, e não pretende rebelar-se quando morre o imperador assírio. Quando morre Acaz, o seu sucessor, Ezequias, tem poucos anos de idade. Por isso o reino é administrado durante sua minoridade por um regente. Durante este período houve tranquilidade interna. Mas quando Ezequias toma o poder grandes mudanças vão acontecer. Primeiro ele faz uma reforma religiosa, e em seguida se inclina a conquistar a independência política. Uma primeira tentativa de revolta é frustrada sem consequências, mas em 705, com a morte de Sargon II, imperador da Assíria, vários reinos se juntam se juntam para se revoltar. O resultado é o cerco de Jerusalém, a queda da capital e o pesado tributo imposto sobre o Reino de Judá. Desta maneira, o reinado de Ezequias, que começou com excelentes perspectivas, termina em uma das maiores catástrofes da história de Judá. Pouco tempo depois, o seu filho Manassés iniciará um período de terror político e de corrupção religiosa que irá prolongar-se durante cinquenta e cinco anos. Seu reinado já cai fora da atividade profética de Isaías e Miquéias.

  • 2.            Isaías
  • a.            A pessoa

Isaías demonstra uma cultura que dificilmente teria podido conseguir fora da capital. Esta formação em Jerusalém contribui para a sua teologia, fortemente marcada por duas tradições: a eleição divina de Jerusalém e da dinastia davídica.

Seu vocacionamento ocorreu cedo, por volta dos vinte anos. Deve ter se casado logo depois. Deste casamento nasceram no mínimo dois filhos, os quais Isaías deu nomes simbólicos: “um resto há de voltar” e “pronto para o saque, preparado para o butim”. Nisto seguiu a mesma conduta de Oséias, demonstrando com isto que toda a existência do profeta está a serviço da mensagem que Deus lhe confia.

Tem-se dito que Isaías é um personagem aristocrático, politicamente conservador, inimigo de revoltas e de mudanças sociais profundas. No seu pretenso caráter aristocrático talvez tenha influído a tradição que o apresenta como sobrinho do rei Amasias. Mas nada disto tem embasamento sério. Que o profeta é inimigo da anarquia e a considera um castigo, parece evidente. Mas isto não significa que apoie a classe alta. Desde os seus primeiros poemas até os últimos oráculos, sus maiores ataques são dirigidos contra os grupos dominantes: autoridades, juízes, latifundiários, políticos. É tremendamente duro e irônico para com as mulheres da classe alta de Jerusalém. E quando defende alguém com paixão, não é os aristocratas, mas os oprimidos, os órfãos e as viúvas, o povo explorado e desencaminhado pelos governantes.

Como escritor, é o grande poeta clássico, possuidor de singular maestria estilística, que lhe permite variar um tema com originalidade. Poeta dotado de boa sensibilidade, amante da brevidade e da concisão, com alguns finais lapidares. Na sua pregação ao povo, sabe ser incisivo, com imagens originais e singela, que sacodem pelo seu caráter imediato.

  • b.           Atividade profética

Os copistas e editores do livro de Isaías não se preocuparam em ordenar o material cronologicamente nem em distinguir entre oráculos autênticos e inautênticos.

  • i.                Durante o reinado de Joatão (740-734)

Esta foi uma época de prosperidade econômica e de independência política. Tudo parece ir bem, mas Isaías – do mesmo modo que Amós fez, anos antes, no Reino do Norte – detecta uma situação bem diferente. O que mais o preocupa durante estes primeiros anos é a situação social e religiosa. Constata numerosa injustiças, as arbitrariedades  dos juízes, a corrupção das autoridades, a cupidez dos latifundiários, a opressão por parte dos governantes. Pretendem eles mascarar tudo isso com falsa piedade e abundantes práticas religiosas. Por outro lado, o luxo e o bem-estar provocam o orgulho em certos segmentos do povo, esquecendo-se de Deus. Como consequência disto, desenvolve amplamente o tema do castigo. Mas seu interesse principal reside em que o home se converta, pratique a justiça, se mostre humilde diante de Deus.

  • ii.                Durante o reinado de Acaz (734-727)

A situação de bem estar passou e foi substituída pela guerra siro-efraimita. Isaías critica a atitude do rei e do povo de temer e buscar socorro nos exércitos assírios. Ele não é contra a aliança, mas contra a falta de confiança em Deus, no compromisso do Senhor em preservar Jerusalém.

  • iii.                Durante o período de minoridade de Ezequias (727-715)

Nesta época, após a morte de Teglata-Falasar, Isaías esteve censurando os filisteus e samaritanos por seus projetos de rebelião. Novamente, a razão é que a salvação está no Senhor, e não na aliança com homens. Talvez a pregação de Isaías tenha surtido efeito, pelo menos em Jerusalém, pois Judá não se rebelou.

  • iv.                Durante o período de maioridade de Ezequias (714-698)

Nesta época Isaías continua advertindo contra a rebelião, mas o rei Ezequias está disposto a se unir com outras nações contra a Assíria. A rebelião acontece e Jerusalém é ataca. O profeta vê nisso o castigo de Deus pela desobediência de Judá, mas também passa a condenar a Assíria, pela blasfêmia do Copeiro-Mor contra, cheia de orgulho e soberba. Apesar de tudo isso, ainda prega que de Deus virá a salvação de Jerusalém. E realmente veio, pois Senaquerib teve que suspender o certo e se contentar a impor à cidade um tributo. Mas ao invés do povo agradecer a Deus pelo livramento, e se arrepender de seu pecado, ele apenas comemorou a “vitória”; deixando Isaías novamente frustrado.

  • c.            A mensagem

A mensagem de Isaías abrange dois grandes pontos: a questão social, durante os primeiros anos de sua atividade, e a política, a partir de 734. Na sua denúncia social, Isaías é muito influenciado por Amós. E a problemática em grande parte é a mesma> critica a classe dominante pelo seu luxo e orgulho, pela sua cobiça desmedida e pelas suas injustiças. Da mesma forma que Amós, denuncia o erro de pretender que tudo isto se coadune com uma vida “religiosa”, de intenso culto a Deus.

Na sua postura política Isaías sofre fortes influencias das tradições da eleição de Davi e de Jerusalém. Deus se compromeuteu com a cidade e a dinastia, e nisto consiste a maior segurança delas. Mas Isaias não aceita nem repete a tradição mecanicamente. A promessa de Deus exige uma resposta – a fé – , que não se manifesta em verdades abstratas, em fórmulas mais ou menos vazias, e sim em uma atitude vital de vigilância, serenidade, calma. Diante da ameaça inimiga, quando a cidade está cercada de tropas, crer significa permanecer tranquilos e atentos, sabendo que Deus não deixará de salvar o seu povo. Por isso, o contrário da fé é a busca de seguranças humanas, a assinatura de tratados, apoiar-se no exército estrangeiro, pactuar com a Assíria ou Egito. Em suma, o contrário da fé é o medo.

E que pretende Isaías com a pregação? Muitos pensam que o profeta só pretende justificar o castigo inevitável de Deus. Mais ainda: cegar o povo, embotar o coração dele, para que não chegue a converter-se. Prescindindo de explicar os complicados versículos do relato da vocação, se existe algo evidente é que Isaías pretendeu converter os seus contemporâneos. E dentro desta conversão há um ponto essencial. Converter-se significa restabelecer as relações corretas entre Deus e o homem, reinstaurar um equilíbrio  que se havia perdido.  Os contemporâneos de Isaías, deixando-se levar pelo orgulho, situaram o homem em um nível que não lhe cabia: no clímax de um panteon terreno, a partir do qual dominava e decidia tudo. Para Deus não restava lugar, ou apenas um lugar de simples trâmite, sem repercussões diretas na vida.

Isaías teve na sua vocação uma experiência bem diferente. A majestade de Deus, sua soberania, despertaram nele a consciência de ser pecador e de viver no meio de um povo impuro. O homem não tem nada de que gloriar-se. A única coisa importante e decisiva é o Senhor. E se o povo não quiser aceita-lo de bom grado, terá que aceita-lo à força, quando chegar “o dia do Senhor” e for quebrantada a arrogância humana.

  • d.           Atividade literária

Existe concordância absoluta em que Isaías efetuou a redação de uma série de oráculos, e até certas coleções.

  • 3.            Miquéias
  • a.            A pessoa e a época

Miquéias nasceu provavelmente em uma aldeia de Judá, a 35 quilômetros de Jerusalém. O dado é importante porque situa o profeta em um ambiente campesino, em contato direto com os problemas dos pequenos agricultores, vitimas do latifundiarismo. Por outro lado, a aldeia era rodeada por fortalezas. Devia ser frequente na região a presença de militares e funcionários do rei, e ela não devia ser muito benéfica, pelo que conta Miquéias.  Além dos impostos, é provável que efetuassem recrutamento de trabalhadores para leva-los a Jerusalém. Latifundiarismo, impostos, roubo à mão armada, trabalhos forçados, este é o ambiente ao redor do profeta. O título do livro situa a atividade dele durante os reinados de Joatão, Acaz e Ezequias.

  • b.           A mensagem

Não sabemos com exatidão que oráculos procedem dele, e quais são de autores posteriores. Os capítulos finais do livro são atribuídos por alguns comentaristas a um profeta anônimo do Norte.

Embora a linguagem de Miquéias seja plástica e viva, fazendo desfilar diante de nós as mulheres expulsas das suas casas, as crianças desprovidas de liberdade, os homens explorados, e o que mais nos impressiona não são os fatos concretos, mas a visão de conjunto. Uma sociedade dividida em dois grandes blocos: de um lado, o dos proprietários de terras, autoridades civis e militares, juízes, sacerdotes e falsos profetas; do outro lado, “o meu povo”, vítima de toda sorte de desmandos. E chama a atenção o caráter “religioso” dos opressores, que consideram estar Deus do lado deles, invocam as grandes tradições de Israel e contam com o apoio dos falsos profetas. Por isso, Miquéias não se defronta somente com uma série de injustiças, mas com uma “teologia da opressão”. Por outro lado, esta maneira de atuar e de enxergar a vida encarna-se em algo bem concreto: Jerusalém. Rompendo com toda tradição e promessa anteriores, e também com o entusiasmo manifestado por alguns Salmos, o profeta anuncia que “Jerusalém será uma ruína, a montanha do Templo (será) um cerro de brenhas”.

Silêncio e apogeu

  • 1.            Os últimos cinquenta anos do Reino do Sul

A época áurea da profecia é seguida de muitos anos de silêncio; bastantes comentaristas diriam que aproximadamente setenta e cinco anos. Em grande parte o fato explica-se pelo longo reinado de Manassés, homem despótico, que “derramou rios de sangue inocente, de modo que inundou Jerusalém de ponta a ponta”. É possível que no temo dele surgissem profetas, embora pouco lhes permitiriam falar. Talvez possamos datar durante o reinado de Manassés a profecia de Naum, contrariamente ao que pensam muitos comentaristas. Neste caso, seria o único profeta conhecido durante o longo reinado de Manassés, e as poucas páginas de Naum conteriam não somente a condenação de Nínive, capital dos assírios, mas também uma crítica velada à política assirófila deste rei.

  • 2.            Sofonias

Situando Sofonias no reinado de Josias, compreende-se em grande parte o conteúdo da sua pregação. Faz um século que Judá está submetido aos assírios, desde que Acaz pediu ajuda a Teglat-Falasar III contra Damasco e Samaria no ano de 734. Embora tenha tentado a independência em tempos de Ezequias, não a conseguiu. Pouco a pouco, cada vez com maior intensidade, o povo se deixou invadir por costumes estrangeiros e práticas pagãs. O longo reinado de Manassés contricuiu para difundir tal corrupção religiosa. Reconstruiu as ermidas dos lugares altos, ergueu altares a Baal, adorou e prestou culto a todo o exército dos deuses, queimou seu filho, praticou a adivinhação e a magia, colocou no templo a imagem de Astarte. A estes pecados contra o culto verdadeiro somam-se as injustiças. Quando sobe ao trono Josias, Judá precisa de uma séria reforma, sob todos os pontos de vista: político, social, religioso. De acordo com a maioria dos comentaristas, foi Sofonias que promoveu esta mudança. Já que a pregação dele ataca o sincretismo religioso e ameaça o castigo contra Nínive, parece justo ubicar a atividade dele nos primeiros anos de Josias. Quando se descobre o Livro da Lei e Josias decide consultar um profeta a respeito do seu conteúdo, o consultado não será Sofonias mas a profetisa Hulda. Isso faz supor que em 622 Sofonias já estava morto.

A mensagem dele nasce de uma situação bem concreta. Não levanta grandes problemas teológicos, tenta resolver os do dia-a-dia. Denunciou as diversas transgressões contra Deus e o próximo. Atacou a idolatria cultual, as injustiças, o materialismo, a despreocupação religiosa, os abusos das autoridades, as ofensas cometidas pelos estrangeiros contra o povo de Deus. Disse com clareza que tal situação era insustentável, que provocaria inevitavelmente o castigo, simbolizado no juízo do “dia do Senhor”. Mas não se compraz em condenar. Considera a destruição como passagem para a salvação. Da rebelde, mancada e opressora Jerusalém sairá um resto que se refugiará no Senhor. Por isso, a despeito das suas terríveis denúncias, a leitura de Sofonias não surpreende. Transforma-se em estímulo para a ação, em agente de mudança. É o que ele pretendeu com a sua atividade: fomentar a reforma de Josias

  • 3.            Habacuc

Habacuc aparece ao longo de suas poucas páginas como um profeta profundamente inserido na problemática do seu tempo. Este homem, superando o seu momento histórico, mergulha na problemática da história enquanto tal e da ação de Deus nela.

Por outro lado, Habacuc é filho do seu tempo. Vão longe os anos em que o profeta, aparentemente, se limitava a ouvir a palavra de Deus e transmiti-la. Do mesmo modo que seu contemporâneo Jeremias, Habacuc toma iniciativa, pergunta a Deus, exige uma resposta, espera. A profecia converte-se em diálogo entre o profeta e Deus, do qual emergirá o ensinamento para os contemporâneos e para as gerações futuras. Assim, talvez como fruto de muito tempo de reflexão e de oração, surgiu a obra dele, sem dúvida breve, mas uma das mais profundas do Antigo Testamento.

  • 4.            Jeremias
  • a.            Vida e atividade profética de Jeremias

Jeremias nasceu pelo ano de 650 em Anatot, pqueno povoado a uns seis quilômetros de Jerusalém, pertencendo à tribo de Benjamim. Este dado é interessante porque Benjamim, unido politicamente a Judá, manteve uma grande vinculação com as tribos do norte. Assim compreende-se que Jeremias concedesse tanta importância às tradições da referida região.  O título indica que Jeremias era filho de um sacerdote, mas nunca atuou no sacerdócio.

Durante o reinado de Josias (627?-609) foi quando ocorreu o chamamento de Jeremias, durante a época da reforma religiosa. A morte de Josias coloca no trono Joaquim (609-598), o que provoca uma reviravolta na situação de Judá e na vida de Jeremias. No começo do reinado ele pronuncia seu célebre discurso no templo, no qual ataca a confiança fetichista dos jerosolimitanos neste lugar sagrado, que eles transformaram em covil de ladrões. O discurso põe em perigo a vida dele. É provavelmente nestes primeiros anos que Joaquim decide construir um novo palácio; o que é feito com injustiças, na falta de dinheiro. Jeremias o denuncia com dureza. Em 605 Nabucodonosor vence os egípcios e a Babilônia se torna a grande potência do momento. Jeremias ameaça com uma inovação dos babilônicos em castigo pelos pecados de Judá. Suas palavras só resultaram em perseguição. No decurso destes anos Jeremias denuncia com particular vigor o esquecimento de Deus, que se manifesta na rejeição aos profetas e à palavra deles, no falso culto e na falsa segurança religiosa, na idolatria, concretizada no culto à Rainha do Céu, a Baal e a Moloc; nas injustiças sociais, cuja responsabilidade cabe especialmente ao rei; nas falsas seguranças humanas, o poder e o dinheiro. Para o profeta, os principais culpados desta situação são as pessoas importantes, o rei, os falsos profetas e os sacerdotes.

Jeremias havia repetido insistentemente que esta situação é intolerável para Deus, atrai o castigo. Assim aconteceu em 597, quando Nabucodonosor deporta um grupo considerável de judeus.

Durante o reinado de Sedecias (598-586) os primeiros anos são relativamente tranquilos, do ponto de vista político. Mas já se debate um sério problema religioso: o dos desterrados. A deportação de 597 causou impacto profundo. Ficou claro que Deus não defende seu povo de forma incondicional. Esta verdade, tão dura para um judeu, tenta suavizar-se com uma escapatória: os desterrados não constituem o verdadeiro povo de Deus; quem mereceu o castigo do Senhor foram os culpados pela situação precedente, os incrédulos e ímpios. Ao contrário, os que permanecem em Jerusalém e Judá são os bons. Jeremias impugna esta interpretação tão simplista quanto injusta.

Ao mesmo tempo dirige uma carta aos desterrados, advertindo-as – contrariando os falsos profetas – que o exílio será longo. Não devem acalentar falsas esperanças, mas levar a vida mais normal possível, aceitando o seu destino. Isto lhe provoca a oposição de Semeías, que o denuncia ao sumo sacerdote.

Mais tarde Sedecias nega os tributos à Babilônia, o que motiva o cerco a Jerusalém promovido por Nabucodonosor. Durante este período Jeremias é acusado de traição várias vezes, é preso, insiste na rendição, mas não logra êxito. Em 586 os babilônicos entram na cidade se separam um grupo de pessoas para a deportação. Jeremias fica preso por um período, depois lhe é permitido residir com o governador. Este é logo assassinado, e a comunidade – com medo de uma nova represália de Nabucodonosor – foge para o Egito, obrigando Jeremias a partir com eles. Lá o profeta vive seus últimos dias.

Se quiséssemos resumir em uma única palavra a mensagem de Jeremias, deveríamos falar de conversão. Jeremias, seguindo Oséias, concebe as relações entre Deus e o povo em chave matrimonial. O povo, como uma mulher infiel, abandonou a Deus; por isso deve converter-se, voltar. Entrou por um mau caminho e deve seguir o caminho que leva ao Senhor. É certo que Jeremias não usou esta imagem em anos posteriores, mas o conteúdo da mesma continuou vivo na mensagem dele.

  • 5.            Profetas anônimos e redatores

Falsearíamos a imagem do movimento profético durante o século VII se a limitássemos aos três nomes citados. Nestes anos, talvez especialmente durante o reinado de Josias, houve personagens anônimos, obreiros incansáveis e inclusive grandes criadores, aos quais devemos um avanço notável na redação de livros proféticos como Isaías, Amós, Oséias e Isaías.

Período do Exílio

  • 1.            Ezequiel

Ezequiel é contemporâneo de Jeremias – provavelmente muito mais jovem que ele -, mas a sua atividade profética se desenvolve totalmente na Babilônia. Viverá os mesmos acontecimentos (últimos anos da monarquia judaica), mas de longe e com uma perspectiva diferente. Partiu para a Babilônia ainda jovem, com o grupo deportado de Jerusalém em 597. Da vida pessoal dele conhecemos poucos dados. Sabemos que era filho de um sacerdote chamado Buzi. Provavelmente ele mesmo foi sacerdote, como sugere a sua linguagem, seu conhecimento da legislação sacral e seu interesse pelo templo. De qualquer forma, ao ser desterrado longe de Jerusalém, não pôde exercer seu ministério de sacerdote.

Desconhecemos que idade tinha ao ser deportado. Segundo Flávio Josefo, ainda era um menino; neste caso deve ter nascido entre 610 e 605. Mas não temos nenhuma certeza. Outros autores pensam que o ano trinta, relatado em Ez 1.1, se refere à idade do profeta; se isto for certo, teria nascido em 622. Sabemos também que era casado (não há notícias de que tivesse filhos) e que enviuvou pouco antes da queda de Jerusalém.

A opinião predominante sobre a datação da atividade de Ezequiel continua sendo a mais concorde com os dados do livro. Ezequiel, desterrado com Jeconias foi vocacionado por Deus no exílio, e em meio aos exilados desenvolveu toda a sua atividade profética. Não há dados sobre uma volta dele a Jerusalém. Mas tem pleno sentido Ezequiel preocupar-se com a problemática de Judá em Jerusalém e falar dela aos desterrados. E não é estranho que conhecesse a situação religiosa e política, já que os contatos com a Palestina devem ter sido mais frequentes do que pensamos.

Dos anos entre o desterro e a queda de Jerusalém não sabemos muita coisa. Mas o pouco que sabemos é muito interessante para compreender a mentalidade dos desterrados. As ameaças externas e as revoltas internas ameaçam o equilíbrio do império babilônico. E isto fomenta nos exilados a esperança de que o castigo mandado por Deus seja passageiro; pensam que o rei Jeconias será libertado prontamente e que todos voltarão à palestina. O que menos podem imaginar é a destruição de Jerusalém e o aumento do número de exilados.

Já o profeta Jeremias tinha-se encarregado de dissipar estas ilusões em uma carta aos desterrados. Mas o povo, alentado pelos falsos profestas, nega-se a admitir isto. Deus, então, escolhe entre os desterrados um deles para transmitir a própria mensagem. Face ao otimismo e à esperança dos deportados, Ezequiel anuncia a catástrofe. E não só anuncia o castigo, mas aponta para os pecados do povo que motivaram a condenação. Fala-se em linhas gerais de “rebelião contra as leis e mandamentos do Senhor”, de ídolos, de insolência e maldade. Mas Ezequiel não se preocupa somente com o estado atual do povo. Sob a influência de Oséias e Jeremias, toda a história passada surge diante dos olhos dele cheia de pecado. Toda a história de Israel é uma história de pecado, que provoca o castigo inevitável.

Mas também os contemporâneos do profeta têm algo a dizer. O livro transmite com frequência as intervenções deles. Todas elas pretendendo a mesma coisa: escapar à palavra de Deus. Uma primeira forma de anular a palavra de Deus é a burla: “passam dias e mais dias, e não se cumpre a visão”. A segunda é a mentira, pecado de falsos profetas e de profetisas, que anunciam paz quando paz não existe e apoiam o malvado para que não se converta. O terceiro modo é o saudosismo, o apego a tradições e realidades sagradas, que impede de aceitar a palavra presente de Deus. E o quarto modo é a intercessão, já que a sentença de Jerusalém já está dada. Assim, passo a passo, Ezequiel mantém a sua mensagem de castigo e derrota as objeções de seus contemporâneos. Nada pode salvar Jerusalém.

O profeta encerra ao primeiro período de atividade com a ação simbólica mais trágica: repentinamente vai morrer sua esposa; mas não pode chorar nem entrar em luto, terá que afligir-se em silêncio. Da mesma forma que os israelitas quando perderem seu santuário. Por último, no dia da queda de Jerusalém (19 de julho de 586), Ezequiel ficará mudo e imóvel até um fugitivo comunicar-lhe a notícia. Isto acontecerá em 5 d janeiro de 585; recobra então a fala.

Quanto ao período posterior ao da queda de Jerusalém, o mais importante de focalizar é o que Ezequiel deve comunicar aos desterrados. O que eles pensam sabemos por um refrão muito repetido na época: “os pais comeram uvas verdes e os dentes dos filhos ficaram embotados”. É uma justificação do passado; ao mesmo tempo, um protesto de inocência e uma censura velada a Deus. É justo o que aconteceu? Que direito é este em que justos têm de pagar por pecadores? Ezequiel não se deixa enganar. Para ele está claro que todos, pais e filhos, comeram uvas verdes e que todos se tornaram escória. Não obstante isso, como princípio válido em relação ao futuro, anuncia que doravante Deus julgará cada um segundo a sua conduta. Esta superação da mentalidade coletiva, caminhando para a responsabilidade individual, é um dos grandes progressos na história teológica de Israel.

Ao mesmo tempo, uma vez ocorrida a catástrofe, Ezequiel denuncia com maior clareza os responsáveis pela mesma. Cinco grupos principais: príncipes, sacerdotes, nobres, profetas e latifundiários. E depois de acusar os responsáveis pelo rebanho e os membros mais fortes, Deus anuncia que ele próprio apascentará suas ovelhas, as procurará seguindo o rastro delas. Isto abrirá o caminho para um mundo novo, e a mudança interior do homem, através do derramamento do espírito e da celebração de uma nova aliança.

  • 2.            Dêutero-Isaías (Is 40-55)

O Dêutero-Isaías, profeta anônimo do exílio, escritor dos capítulos 40 a 50 do livro de Isaías, é considerado por muitos como o maior profeta e o melhor poeta de Israel, mas não nos deixou um único dado sobre sua vida. Ainda que não exista unanimidade entre os comentaristas, a maioria aceita que este profeta atuou entre os desterrados da Babilônia na fase final do exílio. Baseando-nos na menção de Ciro, podemos datar o conteúdo destes capítulos entre o ano de 533, quando este começa suas campanhas triunfais, e o ano de 539, data da rendição da Babilônia.

Os anos centrais do século VI aC caracterizam-se pela rápida decadência do império neobabilônico e pelo aparecimento de uma nova potência, a Pérsia. É fácil imaginar a atitude dos desterrados durante estes acontecimentos. A deportação de 597 nunca foi assimilada pelos judeus. Desde o primeiro momento esperaram a volta rápida à Palestina. Mas as ilusões caíram por terra em 586, quando um novo grupo de compatriotas foi transferido para “junto dos canais da Babilônia”. As notícias que chegam sobre as vitória de Ciro fazem esperar uma pronta libertação. Mas isto traz ao povo um problema teológico, pois surge a pergunta: quando a libertação se realizar, a quem deveremos atribuí-la, a Javé, deus de um pequeno grupo de exilados, ou a Marduc, deus do novo império?

Nesta problemática se encaixa a mensagem do Dêutero-Isaías. Os capítulos escritos por este autor são conhecidos como “livro da consolação”, devido às palavras iniciais, e ao tema que volta a ressoar ao longo da obra. Este tema é desenvolvido em duas etapas. Na primeira, a libertação está confiada a Ciro. Trata-se da libertação do jugo babilônico e o regresso à terra prometida, uma espécie de segundo êxodo. Esta mensagem chocou-se com a falta de confiança do povo. O Dêutero-Isaías trata de demonstrar que é realmente Javé quem maneja os fios da história.

Na segunda etapa, ao falar da reconstrução e restauração de Sião, Jerusalém aparece como mulher e como cidade. Como mulher, queixa-se da falta de filhos; como cidade, das suas ruínas. Ambas as coisas serão superadas, graças ao sofrimento do Servo de Javé. Nos cantos do Servo atingimos um dos auges teológicos do Antigo Testamento. Nunca até então se havia falado tão claramente do valor redentor do sofrimento. Admitiam-se as dificuldades e contrariedades da vida encontrando nelas um sentido educativo, pedagógico, tencionado por Deus. Mas não se podia imaginar que o sofrimento tivesse um valor redentor em si mesmo.

  • 3.            Profetas anônimos e redatores

O aporte profético da época do exílio não se limita a Ezequiel e o Dêutero-Isaías. Uma série de profetas anônimos também nos deixou a sua obra. Entre a variada temática que os preocupa, destacaria o ódio aos estrangeiros (pela responsabilidade na queda de Jerusalém), a denúncia aos ídolos e o anúncio da salvação. Os profetas anônimos executaram um trabalho muito mais criativo do que às vezes se pensa. Seus textos estão espalhados por livros como Ezequiel, Jeremias, Isaías, Daniel, Miquéias, Amós, etc. Um esforço paralelo estará centrado no recolhimento e na reinterpretação das tradições proféticas anteriores, enriquecendo-as às vezes com uma marca de esperança que antes não tinham.

Os anos da restauração

No ano 539 Ciro conquista a Babilônia. Em 538 promulga o edito que permite o regresso dos desterrados. Um grupo comandado por Sesbasar aproveitou a ocasião. Mas a situação que encontraram foi lamentável: cidades em ruínas, campos abandonados ou em mãos de outras famílias, muralhas derrubadas, o templo incendiado. Não sabemos o que aconteceu a este grupo de pessoas. A pregação de Ageu sugere que entre eles propagou-se o desânimo e se limitaram a preocupar-se com as moradias e os campos, esquecendo a reconstrução do templo e as ilusões de independência. Mais uma vez, os profetas, contrariando a atitude do povo, obrigaram-no a esperar a salvação.

Ageu e Zacarias, bem como o grupo de profetas anônimos que conhecemos como Trito-Isaías, situam-se nas primeiras décadas posteriores à volta da Babilônia. O primeiro insiste na reconstrução do templo e fomenta a esperança de um novo rei davídico, que identifica com Zorobabel, encerrando suas profecias com a vitória de Judá sobre os seus inimigos. Zacarias movimenta-se em uma temática parecida, embora a desenvolva com quadros e imagens de sua originalidade, aproveitados posteriormente pela literatura apocalíptica. Os capítulos conhecidos como “Trito-Isaías” (Is56-66) atestam os conflitos e esperanças da comunidade restaurada.

  • 1.            Ageu

A pregação de Ageu gira em torno de dois temas: o templo e a irrupção da era escatológica. O primeiro é o mais importante, já que da reconstrução dele depende a intervenção de Deus no mundo de maniera definitiva. Ageu não sente grande preocupação pelos problemas morais. Estamos diante de um discípulo dos discípulos de Ezequiel. Um homem prático, que não se limita a esboçar no papel o templo futuro, glorioso, mas que atua com realismo e procura começar a tarefa. O povo, devido à sua miséria econômica, ia atrasando a reconstrução do templo; e isso mostrava um desinteresse por Deus, uma crise de prioridades. Ageu inverte esta hierarquia de valores, mostrando que Israel não será Israel se não buscar antes de tudo o reino de Deus; o resto, a bênção de Javé, lhe será concedido em seguida.

Há outro tema, muito menos desenvolvido, mas de enorme importância, com respeito a Zorobabel, governador de Judá. Ageu anuncia a vitória deste líder e a restauração da dinastia davídica na sua pessoa.

  • 2.            Zacarias

Zacarias aparece mencionado em Estras junto com Ageu, como um dos principais artífrices da reconstrução do templo. As datas do livro dele coincidem com este dado. Sua atividade começa poucos dias antes de terminar a de Ageu e se prolonga até o dia 4 do mês nono do ano quarto de Dario. Abrange pois uns dois anos.

Quanto à época, é semelhante à de Ageu. Dois grandes temas ocupam os judeus de então: a reconstrução do templo e a restauração escatológica. Se Ageu dera maior importância ao primeiro, e apenas um breve apêndice ao segundo, Zacarias fará o contrário. Sem esquecer o tema do templo, a reconstrução deste fica inserida na perspectiva mais ampla da era escatológica que se aproxima. Prometeu a Zorobabel que terminaria a obra “não pela força nem com riquezas, mas com a ajuda do espírito de Deus”. Esta reconstrução abre para uma nova era de prosperidade e salvação. Mas o que mais interessa a Zacarias é este novo mundo futuro, tema capital das suas visões, as quais contemplam a destruição das nações inimigas e a restauração judaica.

Mas Zacarias não se preocupa apenas com o futuro. Para ele conta muito o presente. E a tarefa do seu momento histórico não consiste só em construir materialmente. Existe algo mais importante: converter-se. Nesta conversão ocupa um lugar capital o aspecto ético. O culto por si só não é suficiente.

  • 3.            Trito-Isaías (Is 56-66)

Os capítulos 56 a 66 do livro de Isaías são atribuídos pela maior parte dos comentaristas atuais a diversos autores muito vinculados espiritualmente ao Dêutero-Isaías, os quais proclamavam sua mensagem nos últimos decênios do século VI e primeiros do V. Por conseguinte, não podemos fazer a mínima referência “biográfica” neste caso. Também é arriscada a interpretação “sociológica”, dadas as profundas diferenças entre as diversas teorias.

O Dêutero-Isaías anunciara a salvação e restauração do povo. Passaram-se os anos. Só se havia cumprido a volta da Babilônia, e de forma muito mais modesta do que a imaginada pelo profeta. Como explicar isto? Deus é impotente? Esqueceu-se do seu povo? A resposta de Isaías III não deixa lugar para dúvidas, mostra que Deus é poderoso e filem, e que é o pecado cria separação entre Deus e seu povo. Ou seja, Deus quer ouvir o seu povo, salvá-lo da situação em que se encontra. Mas o homem deve colaborar, mudando de atitude e conduta.

A caminhada para o silêncio

  • 1.            Joel

A atividade profética de Joel tem sido data nas épocas mais distintas, desde o século IX até o III. Embora a tendência predominante a situe na época pós-exílica, outros continuam a admitir como possível os últimos anos da monarquia (fins do século VII e começo do VI). Sobre sua pessoa, através da obra só podemos deduzir que era judeu, pregou em Jerusalém e possuía um conhecimento bastante profundo da vida no campo.

Na hipótese de Joel ter atuado em fins do reino, devemos ler o livro recordando a pregação de Sofonias sobre o “dia do Senhor”. Joel compartilha a ideia de que o dia do Senhor é terrível. Em comparação com este dia, a praga dos gafanhotos e a seca são males pequenos. Mas está convencido de que “o Senhor é compassivo e clemente, paciente e misericordioso, e se arrepende das ameaças”. Para ele, a catástrofe presente não é sinal de um castigo ainda maior. Antecipa uma era de bênção e salvação para o povo.

Na hipótese de ter atuado no século V, a pregação adquire um matiz bem diferente. A grande catástrofe, a queda de Jerusalém, o desaparecimento da monarquia, pertencem já ao passado. A partir de Ezequiel e do Dêutero-Isaías a profecia adquiriu um tom mais otimista e consolador. Espera a grande mudança definitiva, a irrupção desse mundo maravilhoso anunciado por Ezequiel, Ageu, Zacarias. Passaram os anos sem que se cumprissem as esperanças, sem que o povo recobrasse a liberdade e sem os inimigos serem castigados, etc. Joel, partindo precisamente de uma calamidade, prevendo inclusive uma catástrofe maior, mantém a esperança de que a palavra profética dos seus predecessores não cairá no vazio. Espera o cumprimento dela e o anuncia. A partir desta perspectiva histórica, Joel surge diante dos seus contemporâneos como um homem de profunda fé e profunda esperança. Ao mesmo tempo, não se limita a consolar. Sacode as consciências, obriga a dar o salto do presente para o futuro, das necessidades primárias para a tarefa  definitiva, da angústia pela comida e pela bebida para a colaboração no grande projeto de Deus.

  • 2.            Jonas

É uma pena que a biografia tão conhecida seja toda inventada. Jonas não é um personagem histórico, mas de ficção. Mas a mensagem deste livrinho cheio de fino humor é das mais interessantes se a lermos no contexto dos séculos pós-exílicos, marcados pela política xenófoba de Estras e Neemias.

Nínive, capital do império assírio a partir de Senaquerib, tinha ficado na consciência de Israel como símbolo do imperialismo, da mais cruel agressividade contra o povo de Deus. A eles deve dirigir-se Jonas para exortá-los à conversão, e a eles Deus concede seu perdão. A mensagem deste livro é muito dura e difícil de ser aceita: Deus ama também os opressores, “faz cair seu sol sobre maus e bons e manda a chuva cair sobre justos e injustos”. Na mensagem do livro existem dois aspectos. Um corresponde aos opressores: converter-se. Outro toca a Israel: aceitar que Deus perdoe os ninivitas.

  • 3.            Diversas coleções anônimas

A última parte do livro dos Doze Profetas Menores contém três coleções que começam com o mesmo título: “Oráculo. Palavra do Senhor…”. Se levarmos em conta que Malaquias não é o nome de um profeta, mas um título (“meu mensageiro”), fica evidente que o editor dos doze acrescentou ao último profeta conhecido (Zacarias) três coleções de oráculos anônimos. A terceira delas acabaria transformando-se no livro de “Malaquias”. As outras duas ficaram unidas aos oito capítulos de Zacarias.

“Malaquias” aborda os problemas da sua época, sejam eles teóricos (amor de Deus, justiça divina, retribuição) ou práticos (oferendas, casamentos mistos, divórcio, dízimos). Neste sentido, situa-se perfeitamente na linha dos antigos profetas. Se a mensagem dele às vezes não atinge um horizonte tão amplo como o daqueles, isto se deve em grande parte ao fato de a época não dar margem a isto. Lendo a obra, temos a impressão de que a palavra de Deus se torna pequena, acomodando-se às míseras circunstâncias do seu povo. Como se não tivesse nada de novo e de importante a dizer, limitando-se a recordar a pregação do Deuteronômio ou dos antigos profetas.

Ainda há outros textos, surgido na mesma época da redação de “Malaquias”, que estão espalhados nos livros de Jeremias, Isaías, Amos, Sofonias, etc.

  • 4.            O silêncio

E chegamos ao silêncio final. Tem-se buscado explicações para este fato, por caminhos bem diferentes. Há quem insiste em que a profecia foi evoluindo paulatinamente para a apocalíptica, até levar a esta nova corrente. Outros pensam que a profecia, intimamente vinculada à monarquia desde as suas origens, sofre um golpe de morte com o desaparecimento dos reis.

De qualquer forma, a profecia continuou a desfrutar de grande prestígio em Israel. Mas com um matiz importante. Dispensava-se grande estima aos antigos profetas e se esperava a vinda de um grande profeta no futuro. Segundo uma corrente, tratar-se-ia de um profeta como Moisés; segundo outra, inspirada em Ml 3.23, quem voltaria seria Elias. Esta esperança se realizará, para os cristãos, em João Batista e Jesus.