Temperamentos Transformados

Em seu livro Temperamentos Transformados Tim Lahaye explica a teoria dos quatro temperamentos sob a perspectiva cristã. Esta teoria foi desenvolvida pelo pensador grego Hipócrates (460 a 370 a.C.), e é uma das teorias da personalidade mais recorridas até hoje. Segundo ele, há quatro tipos de temperamentos, e cada um é gerado biologicamente por elementos do corpo. Os quatro temperamentos são: sanguíneo, gerado pelo sangue; melancólico, gerado ela bílis preta; colérico, gerado pela bílis amarela e fleumático, gerado pela fleuma.

Esta teoria, apesar de muito antiga, foi pouco conhecida durante vários séculos. Poucos estudaram o comportamento humano desde o período grego até o surgimento da psicóloga, já em tempos modernos. E com o surgimento da psicologia se difundiu a teoria psicanalítica, quem em muito difere da teoria de Hipócrates, e que novamente ofuscou a teoria dos quatro comportamentos. Basicamente, a principal diferença entre essas duas teorias é que a psicanálise vê o comportamento humano como algo condicionado pelo meio, enquanto a teoria dos quatro temperamentos vê o comportamento como reflexo de características biológicas hereditárias. Embora a explicação de Hipócrates baseada na quantidade de fleuma, bílis e sangue não se aplique mais, hoje sabemos que os humores são desencadeados por hormônios e outras substâncias bioquímicas. Este novo conhecimento corrige a teoria, mas não a contradiz. Muito pelo contrário, é de se admirar que a mais de dois mil anos Hipócrates tenha formulado uma teoria tão próxima do que conhecemos hoje.

A proposta de Lahaye em Temperamentos Transformados é mostrar que todas as pessoas nascem com um tipo de personalidade (frequentemente pode ser também uma combinação) que tem qualidades e defeitos. E que a forma de superar os defeitos e aproveitar as qualidades é apenas pela ação do Espírito Santo de Deus. Com isso ele pretende nos conscientizar da responsabilidade do homem em assumir seus defeitos/pecados e da dependência do Espírito para vencê-los. Ao contrário da psicanálise, que tende a ver o homem como condicionado, portanto isento de culpa, e tenta alcançar a cura pelos próprios esforços humanos. A tese do Tim Lahaye parece ser uma “psicologia da Bíblia”, pois utiliza princípios bíblicos para explicar e tratar o comportamento do homem descrito pela psicologia. Para isso utiliza a biografia de quatro pessoas descritas na bíblia para exemplificar os quatro tipos de temperamentos e a transformação que Deus operou neles.

O primeiro temperamento descrito é o sanguíneo, exemplificado pelo apóstolo Pedro. O sanguíneo é caloroso, amável e simpático. Atrai facilmente as pessoas, é bom de conversa, é otimista, despreocupado, generoso, desinibido, compassivo, adapta-se ao meio ambiente e ajusta-se aos sentimentos alheios. Por essas características os sanguíneos geralmente são bons oradores, vendedores, atores e líderes. Suas fraquezas são ter pouca força de vontade, instabilidade emocional, comportamento explosivo, inquieto e egoísta. Dificuldade de realizar projetos

O segundo temperamento descrito é o colérico, exemplificado pelo apóstolo Paulo. O colérico, assim como o sanguíneo, é extrovertido, mas em menor intensidade. Seu pensamento é prático, para ele tudo na vida tem uma utilidade. É um líder natural, obstinado e otimista. Tem muitas idéias, projetos e objetivos, os quais geralmente são realizados com sucesso. Por essas características tendem a ser bons diretores de empresas, generais, construtores, soldados voluntários, políticos ou administradores, mas têm dificuldade para executar trabalhos minuciosos e precisos. Suas fraquezas são a auto-suficiência, impetuosidade, gênio difícil e tendência à aspereza e até mesmo à crueldade.

O terceiro temperamento é o melancólico, exemplificado por Moisés. É a personalidade mais complexa, geralmente possui mente privilegiada e uma tremenda capacidade de experimentar toda gama de emoções. Também é o temperamento mais difícil de ser trabalhado. Os grandes artistas, compositores, filósofos, inventores e teóricos foram, em sua maioria, melancólicos. Muitos deles desperdiçaram seus talentos em crises de angústia profunda. O melancólico é talentoso, perfeccionista, sensível, apreciador de artes, analítico, abnegado e amigo leal. Em geral não é extrovertido e raramente se impõe. Em compensação, o principal ponto fraco do melancólico é a tendência de se deixar levar por pensamentos negativos. Assim como suas qualidades são excepcionais, suas fraquezas também são complexas e muitas vezes acabam neutralizando as qualidades. O melancólico tende a ser genioso, crítico, pessimista e egocêntrico.

O quarto temperamento é o fleumático, exemplificado pelo patriarca Abraão. Os fleumáticos são pessoas de fácil convivência, pois sua natureza calma e sossegada faz com que sejam bem quistos por todos. O fleumático é uma pessoa calma, acessível, agradável, eficiente, conservadora, digna de confiança, espirituosa e com a mente sempre voltada para o lado prático das coisas. Por ser um tanto introvertido suas fraquezas não são tão perceptíveis quanto nos outros temperamentos. Sua maior fraqueza é a falta de motivação, por isso pode acabar sendo displicente, cabeçudo, pão-duro e indeciso. Tende a evitar a todo custo envolver-se com as coisas, têm a capacidade de olhar a vida com meros espectadores. Não obstante, os fleumáticos revelam-se bons diplomatas, professores, médicos, cientistas, humoristas, escritores e editores de livros e revistas. Quando motivados externamente podem tornar-se líderes muito capazes.

Como foi mostrado pela vida destes quatro servos do Senhor, e de tantos outros, a transformação do temperamento é feita pelo Espírito Santo, e acontece quando a pessoa se submete a Deus para ser guiada pelo seu Espírito. O andar transformado está em deixar-se encher pelo espírito, não apenas esporadicamente, mas continuamente. E o processo para isso passa por: examinar-se e confessar todo pecado conhecido (1Jo 1.9); submeter-se inteiramente a Deus (Rm 6:11-13); pedir a plenitude do Espírito (Lc 11.13); apropriar-se da promessa de Deus e crer que já recebeu a plenitude do Espírito (Rm 14.23); agradecer-lhe pela sua plenitude, e repetir isso cada vez que reconhecer o pecado em si (1Ts 5.18). O problema é que muitos não acreditam terem recebido o Espírito, e um dos motivos é por não verem mudança imediata em suas vidas. Entretanto é preciso compreender que o temperamento não trabalhado e o hábito adquirido ao longo do tempo levam a pessoa a cometer novamente os pecados que está tentando evitar. Por isso é preciso estar constantemente se arrependendo, se submetendo a Deus e se enchendo novamente do espírito. Com o tempo o temperamento vai se transformando e os velhos hábitos pecaminosos também vão perdendo força.

(RESENHA DO LIVRO: Temperamentos Transformados: como Deus poderá transformar os defeitos de seu temperamento; de autoria de Tim Lahaye)

3 thoughts on “Temperamentos Transformados

  1. Primeira visita.🙂
    Agora, vou pegar um cafezinho, sentar e ler.
    depois eu volto pra comentar sobre a leitura e a conclusão que cheguei.

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