Mudanças econômico-sociais no sec. XVI e o impacto sobre a religião

As transformações ocorridas na Europa a partir do século XVI envolvem as dimensões: econômica, política, a científica e religiosa. Ambas estão interligadas e não seria possível entender uma sem ajuda das outras. A revolução protestante, ironicamente, que foi uma das primeiras a iniciarem seu processo, surge dentro da religião e é o que vai abrir caminho para as outras revoluções, que vão terminar por enfraquecer a própria religião em certas partes do mundo.

A revolução econômica no final da idade feudal possibilitou o ressurgimento das cidades, as grandes navegações e o comércio internacional e o avanço tecnológico. Isso culminou na revolução industrial, marcada pelo êxodo rural, produção em massa, concentração da riqueza e consolidação da classe burguesa. O fortalecimento dessa classe veio a ofuscar e enfraquecer a classe da nobreza levando às revoluções políticas. E esse foi o primeiro golpe sobre a religião, pois enfraqueceu o poder que emanava da simbiose estado-igreja.

Por outro lado, no campo da ciência, o iluminismo – a revolução o pensamento – atacou as bases intelectuais das religiões. O principal artifício da razão usado na época, a dúvida metodológica, levou vários pensadores a questionarem os pressupostos da religião. Com isso passaram a considerar as escrituras sagradas como sendo mera escrita humana, a fé como sendo apenas sonho, e acusaram a religião de ocultar a realidade e consequentemente ser um meio de opressão. A principal evidência disso seria o estado de miséria de grande parte da população européia na época, resultado da formação do sistema capitalista, e a omissão da igreja diante desse quadro de injustiça.

A revolução política acontece de formas muito diferentes nas várias nações européias. Na Inglaterra a revolução política esteve muito ligada com a reforma protestante, devido ao anglicanismo, a influência calvinista e o movimento puritano. Isso acabou por marcar a sociedade inglesa, e consequentemente a estadunidense, com os princípios do cristianismo protestante.

Na França ocorreu o contrário. Os revolucionários franceses traziam ideais formados no pensamento iluminista, por isso defenderam a racionalidade e combateram ferrenhamente a religião. Em consequência, houve uma ligeira e profunda secularização da sociedade francesa e o surgimento de uma Religião Civil. Também na Rússia o efeito da política sobre a religião foi parecido. A diferença é que a secularização se deu pela imposição do ateísmo em nome do ideal socialista.

Concluindo: a relação entre economia, política, pensamento (ciência) e religião, é dinâmica. Cada um destes fatores influencia os outros e é influenciado por eles. Os efeitos que essas intensas transformações que ocorreram no mundo a partir do século XVI deixaram na religião foram profundos e irreversíveis. Primeiramente acabou com o poder absoluto da Igreja Católica Romana. Consequentemente abriu espaço para várias manifestações religiosas diferentes, deste a protestante até a enorme diversidade que temos hoje. E também abriu espaço para a secularização de grande parte da população e de alguns setores inteiros da sociedade.