Porque as pessoas que amamos nos levam à loucura

Os 9 Tipos de Personalidade nos Relacionamentos

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Em Por que as pessoas que amamos nos levam à loucura, a psicóloga Daphne R. Kingma apresenta sua teoria de classificação de personalidades. Para ela, as dificuldades nos relacionamentos muitas vezes são fruto da diferença de personalidades. Isso porque cada tipo personalidade tem um modo particular de lidar com as emoções, e quando não há compreensão disso pode haver conflitos.

A teoria de Kingma, baseada na própria observação em sua experiência clínica, parte do que ela chama de “problema central” da vida da pessoa. Segundo ela, esse problema central é constituído da grande mágoa emocional que cada um de nós sofreu, bem como de todos os comportamentos que desenvolvemos para lidar com ela, compensá-la, evitá-la ou superar a enorme dor emocional que esta ferida nos causou (p. 11).

Com isso ela demonstra nove tipos de personalidade, cada um com características especiais que estão relacionadas com o “problema central”. Mas há a possibilidade da combinação entre estes tipos. Segundo Kingma, cada tipo de personalidade tem sua vantagem e desvantagem. As mesmas características que fazem uma pessoa ser atraente são as que também nos irritam em outros momentos. Por isso ela ressalta a importância da compreensão, para podermos aceitar a personalidade das pessoas com quem convivemos, mas também para controlarmos os nossos comportamentos para nos relacionarmos melhor.

Depois da introdução, cada capítulo trata de um tipo de personalidade. Todos os capítulos seguem a mesma estrutura, ela apresenta as características do tipo, mostra porque estas características nos atraem e também porque elas nos irritam; para então mostrar qual é a ferida emocional que gera este tipo de personalidade e o que o diferencia dos outros tipos. Depois ainda mostra o que esta personalidade tem a nos ensinar, e o que o portador desta personalidade precisa aprender e o que precisa fazer para chegar ao equilíbrio. Por fim, termina cada capítulo propondo uma meditação e algumas afirmações para ajudar a ter equilíbrio.

A primeira personalidade apresentada é a do Narcisista. A ferida emocional dele é uma profunda falta de amor (p. 29). Geralmente são pessoas que não receberam muita atenção dos pais quando eram crianças, não receberam o amor incondicional que necessitavam no momento certo. Por isso, o Narcisista tenta sempre chamar atenção para si, mesmo que não seja conscientemente. Isto faz dele uma pessoa verdadeiramente interessante, pois ele sempre consegue nos cativar; entretanto, por estar sempre querendo receber atenção, ele tem dificuldade para ouvir e dar atenção aos outros. O narcisista precisa aprender a dar o amor de que ele mesmo tanto necessita, pois só assim o receberá. (p. 35)

O segundo tipo é o Exaltado. Este tipo é o que expressa suas emoções com maior intensidade, é o tipo que mais costuma chorar, dramatizar, esbravejar, perder o controle. O que acontece com ele é que sua ferida emocional é a experiência de caos emocional, e a reação dele é o medo consciente ou inconsciente. (p. 49) O tipo exaltado, por causa de sua experiência de caos e medo na infância, é tão acostumado com a histeria que chega a confundi-la com a realidade, por isso ele não consegue viver sem sentir e expressar emoções com muita intensidade. O exaltado precisa aprender a se libertar do medo.

O Sangue de Barata, o terceiro tipo, é o oposto do anterior. Ele nega os sentimentos, tanto os seus quanto os dos outros. Ele é prático e toma suas decisões com base na lógica. O problema central do Sangue de Barata é lutar contra a dor causada por sua ferida emocional. Para lidar com alguma situação dolorosa (morte de um ente querido, separação dos pais, etc) quando criança ele aprendeu a negar a própria dor. Por isso, mesmo quando adulto, o Sangue de Barata evita entrar em contato qualquer sentimento, para não ter que reviver aquela dor que não foi sarada a muito tempo. Para superar isso ele precisa aprender a reconhecer as próprias emoções, e tentar curar as dores do passado.

O Cético, por sua vez, tem um comportamento extremamente ambíguo. Ele quer se relacionar, mas inconsciente sabota todos os seus relacionamentos. São pessoas divertidas, espirituosas, apesar de pessimistas, costumam nos divertir com seu cinismo (como as leis de Murphy), mas têm dificuldade para se relacionar profundamente. Sua ferida emocional é uma profunda traição amorosa, por isso lhes é tão difícil acreditar em algo ou em alguém. O que o Cético precisa aprender é desenvolver confiança nos seus relacionamentos.

O Trabalhador Compulsivo é aquele que está sempre ocupado. Dificilmente tem tempo para outras pessoas, e quando tem, prefere compartilhar com elas alguma atividade, mas não sentimentos. Ele não quer aprofundar a relação, não quer se envolver demais emocionalmente. Isso é resultado da sua ferida emocional, que é o abandono. Quando criança, ele não tinha recursos emocionais para lidar com o abandono e, por isso, ficou com uma mágoa não resolvida. Quando adulto, em vez de sentir essa mágoa – passando pela raiva, pela dor, pelo perdão e pela aceitação, o que poderia levá-lo a livrar-se dela – o Trabalhador Compulsivo não se arrisca a entrar nas profundezas dessas águas emocionais. (p. 107) O que ele precisa aprender é que relacionar-se é o melhor remédio para curar as suas emoções.

O Perfeccionista, como o nome já diz, quer que tudo seja perfeito, nada e ninguém correspondem ao seu padrão de perfeição. Ele cobra muito de si mesmo e tende a se decepcionar com os fatos. A sua ferida emocional é uma profunda falta de segurança. E a sua “hiper-responsabilidade” é o mecanismo que desenvolveu para lidar com isso. O que ele precisa aprender é o que é óbvio: que ninguém é perfeito, que as coisas às vezes estão bem do jeito que estão. Para isso, pode se dedicar a ser mais flexível, concentrar-se nos aspectos positivos, praticar a gratidão e cultivar uma prática espiritual. A insegurança do Perfeccionista advém do fato de ele viver sempre sob pressão por acreditar que é responsável por tudo, apesar de, no fundo, saber que não pode fazer tudo com perfeição. Só Deus pode fazer isso e é por isso que, mais cedo ou mais tarde, ele terá de entregar essa responsabilidade a uma força maior do que ele mesmo. (p. 132)

O sétimo tipo de personalidade é Sonhador. Este é reconhecido principalmente por viver sempre no futuro, desconsiderar os fatos concretos e recorrer à fantasia para evitar o trabalho árduo. A dor emocional do Sonhador é a experiência de ter sido enganado e seu mecanismo para lidar ela é a fantasia. Ele nos encanta por estar sempre “pensando grande” e nos motivando a acreditar em nossos sonhos; mas também nos irrita por não conseguir enxergar a realidade. O que o Sonhador precisa aprender é que a vida como ela de fato é também pode ser repleta de alegrias, e que a verdadeira mágica está em um ponto intermediário entre a fantasia e a realidade. (p. 150)

O Controlador é aquele que quer fazer tudo ao seu próprio modo. Gosta de estar no controle, e tende a encarar todos os problemas de relacionamento como conflitos de poder. Ele costuma assegurar seu poder por meio da intimidação. Apesar de parecer forte e autoconfiante, no fundo, o Controlador se sente totalmente impotente. A sua ferida emocional está na área do poder. Quando criança, o processo pessoal de desenvolvimento do poder pessoal foi de alguma maneira interrompido. (p. 166) Ele provavelmente não recebeu apoio dos pais para desenvolver a segurança sobre suas próprias capacidades, por isso ele fica tentando afirmar o seu poder sobre os outros. O que ele precisa aprender é abrir mão de estar sempre no controle de tudo, e assim descobrir os seus talentos (que são o seu verdadeiro poder).

Por último, o Abnegado é aquele tipo de personalidade que gosta de prestar favores, está sempre pronto a ajudar, se preocupa com os outros. Ele é muito sensível emocionalmente e por isso compreensível e as pessoas gostam de estar com ele. Entretanto este comportamento é fruto de um profundo sentimento de não merecimento, sua ferida emocional. O Abnegado tem pouca auto-estima e está sempre se esforçando para merecer ser amado. Ele está sempre agradando as pessoas, mas acaba cansando-os com sua falta de auto-estima. Para aprender a deixar de se ver como inferior aos outros, ele pode fazer alguns exercícios como: tomar consciência dos seus pensamentos negativos e livrar-se deles; descrever a si mesmo do ponto de vista de alguém de fora; reformular a imagem que tem de si mesmo; parar de fazer o que sempre faz para merecer o amor das pessoas; aprender a receber; e tomar conta também de si mesmo.

No último capítulo, Kingma fala sobre a atração entre os diferentes tipos de personalidade. Ela mostra quais são características de cada tipo que atrai alguns tipos, e quais as que afastam outros tipos. No fim, ela conclui o livro dizendo que nenhum tipo é melhor do que o outro, cada tipo de personalidade representa algum tipo de limitação nas relações amorosas, mas ao mesmo tempo oferece uma oportunidade para o parceiro se desenvolver. Na verdade, as mesmas características de uma pessoa que incomodam o parceiro são também as sementes de suas maiores oportunidades de mudança. (p. 205) A mensagem que Kingma deixa é a de que todas as pessoas trazem dentro de si uma ferida emocional e espiritual que está tentando curar, por isso, tornar-se humano é acima de tudo uma jornada de desenvolvimento pessoal e de evolução espiritual.

KINGMA, Daphne Rose. Porque as pessoas que amamos nos levam à loucura. São Paulo: Cultrix, 1999.

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